Neste inverno, a Vitra leva-nos às casas de duas artistas que residem em Berlim: Nata Lee Hahn converteu uma antiga oficina automóvel num loft para a sua família, enquanto Kitty Kahane vive num antigo apartamento decorado com uma cuidada selecção de objectos e das suas próprias obras de arte. Ambas as casas expressam a personalidade individual de cada uma, misturando peças de colecção com mobiliário intemporal.
Nata Lee Hahn
"Este espaço foi construído há 100 anos como uma fábrica. Depois, foi utilizado como uma oficina automóvel. Quando passei aqui pela primeira vez nem tinha janelas, era escuro, decrépito e triste. Mas quando vi o grande espaço aberto no interior, a minha imaginação soltou-se. Depois de inicialmente querer utilizá-lo como o meu estúdio, percebi que seria a casa de família perfeita."
"Rodeio-me sempre de coisas que me trazem felicidade. Gosto de pensar que também trazem alguma magia para a nossa casa."
Kitty Kahane "Mudei-me para aqui em 1995 e apaixonei-me de imediato. A configuração era diferente inicialmente com uma série de pequenas divisões. Fomos nós que fizemos a renovação do interior. Adoro espaços grandes, preciso deles para o meu trabalho. Combinamos o antigo com o novo, sempre adquiri mobiliário bonito e de elevada qualidade, muito dele vintage."
"Para mim as coisas não podem ser perfeitas. Os defeitos e imperfeições têm de estar sempre visíveis. Esta filosofia aplica-se ao meu trabalho, mas também na minha casa."
A colecção Dori nasceu de um simples detalhe. Durante uma visita ao estúdio londrino de Nipa Doshi e Jonathan Levien, Mette Hay, cofundadora da HAY e directora criativa da área de acessórios, reparou numa das amostras têxteis de Nipa Doshi e sentiu-se particularmente atraída pelo seu verso. Os detalhes das costuras sugeriam novas possibilidades.
↑ Nipa Doshi e Jonathan Levien, e a coleção Dori
Uma colecção inspirada nas tradições têxteis indianas
O resultado é a primeira colecção de acessórios de Doshi Levien para a HAY: uma colcha acolchoada, uma almofada e uma capa amovível para almofada, todas produzidas em algodão orgânico.Com o nome inspirado na palavra hindi para "fio", Dori tem um significado pessoal para Doshi, cuja infância em Bombaim influenciou a linguagem visual da colecção. A designer descreve-a como "a introdução de uma cultura têxtil diferente no universo HAY", enraizada nas tradições indianas do algodão, do bordado e da utilização quotidiana dos têxteis. Uma herança que se traduz em padrões geométricos, debruados, costuras contrastantes e combinações de cores reversíveis.
↑ Sofá Quilton - Hay
Doshi Levien: uma linguagem criativa entre culturas e materiais
Foi em 2000 que Nipa Doshi e Jonathan Levien fundaram, em Londres, o estúdio de design Doshi Levien. Os dois conheceram-se no Royal College of Art e, desde então, têm desenvolvido uma linguagem criativa própria, que combina referências culturais, inovação técnica e uma abordagem singular à materialidade dos objectos.
↑ Tapete Rabari - Nanimarquina
Nipa Doshi cresceu na Índia e estudou no National Institute of Design, enquanto Jonathan Levien, natural da Escócia, se especializou em marcenaria artesanal antes de prosseguir os estudos em design industrial. As suas competências complementares reflectem-se no trabalho da dupla: Doshi dedica-se sobretudo à cultura visual, à compreensão estética do mundo e à materialidade das coisas, enquanto Levien se concentra na precisão industrial e nas técnicas de produção.
↑ Poltrona Uchiwa - Hay
O reconhecimento internacional chegou em 2008, quando receberam o prestigiado prémio Future Legends of Design, atribuído pelo Cooper Hewitt National Design Museum, em Nova Iorque.Ao longo do seu percurso, colaboraram com algumas das mais reconhecidas marcas internacionais de mobiliário e design de interiores, assinando peças e colecções que revelam a versatilidade da sua abordagem criativa.
Entre os seus principais projectos destacam-se:
Hay: as poltronas Uchiwa e Dapper, o sofá Quilton e, mais recentemente, a colecção têxtil Dori.
B&B Italia: as poltronas Do-Maru, Almora e Bay.
Arper: o sofá Shaal, as mesas Roopa, a poltrona Lepal e a cadeira Cari.
Moroso: as colecções Armada, Modernista e Paper Planes, o sofá My Beautiful Backside e a cadeira Impossible Wood.
Nanimarquina: os tapetes Rabari 1 e Rabari 2.
Kettal: a poltrona Cala.
Um percurso que demonstra a capacidade de Doshi Levien para cruzar diferentes referências culturais, materiais e técnicas, criando objectos que conciliam identidade, funcionalidade e inovação.
↑ Sofá Shaat - Arper
A icónica CH24 Wishbone Chair, desenhada por Hans J. Wegner e produzida ininterruptamente pela Carl Hansen & Søn há mais de 70 anos, ganha uma nova interpretação com assento em pele macia.
Fiel ao desenho original, que alia leveza, equilíbrio e conforto, esta versão acrescenta uma nova dimensão tátil à cadeira. O fabrico da Wishbone Chair envolve mais de 100 etapas de trabalho artesanal. Agora, o assento está disponível em quatro tons naturais e sete variantes cuidadosamente selecionadas, desde a pele anilina TERRA®, com acabamento mate sedoso e uma pátina que evolui com o tempo, até às peles LOKE e THOR, mais resistentes ao desgaste diário e às manchas.
Lançada em 1948, a mesa Reale, desenhada por Carlo Mollino, continua a destacar-se pela originalidade da sua construção e pelo carácter escultural da sua estrutura. Inspirada na complexidade das formas orgânicas, a sua base evoca um esqueleto, com elementos de madeira unidos por juntas metálicas concebidas à medida.
O tampo de vidro permite observar todos os detalhes desta estrutura intrincada, transformando a construção da peça num dos seus principais atributos. Em 2016, a Reale passou também a estar disponível com tampo em mármore, numa interpretação que lhe confere uma expressão distinta.
Quase oito décadas depois da sua apresentação, a Reale mantém-se como um exemplo marcante da visão singular de Carlo Mollino, em que a engenharia e a atenção ao detalhe se conjugam numa peça que atravessa gerações.
Descubra a Reale da Zanotta na Paris:Sete